
O termo variz deriva do grego, que significa “com aparência de uvas”. E usado pela semelhança do aspecto que a veia toma quando esta em avançado grau de dilatação e empurram a pele, como novelos que lembram cachos de uvas.
A Síndrome Varicosa é definida como dilatações e tortuosidades das veias, e tais transformações são permanentes. Atualmente, representam uma das doenças mais frequentes que afetam o ser humano.
As veias dos membros inferiores são estruturalmente diferentes de acordo com os tecidos que as circundam. Assim, as veias que estão dentro do compartimento aponeurótico (veias profundas e as veias musculares) caminham na intimidade dos músculos, envolvidas por eles e por aponeurose, possuem paredes mais finais e agem como via de transporte, com menor possibilidade de acumular volume. O que explica o motivo de ser incorreto o uso do termo”varizes internas”.
Já as veias superficiais são extra-aponeuróticas, envolvidas somente por tecido adiposo, com paredes mais espessas, com grande capacidade de dilatação, tendo como a principal função a de reservatório sanguíneo, com pequena ação de transporte. Estas últimas ao contrário das veias profundas, por não apresentarem suporte externo, podem se dilatar e ocasionar lesão estrutural, se tornando varicosa.
Existem condições que facilitam a instalação ou intensificam a Síndrome Varicosa, tais como: calor ambiente, ortostatismo, estados hormonais do sexo feminino, altura, uso de anovulatórios, entre outras.
As varizes surgem como consequência da hipertensão venosa, de forma absoluta ou de forma relativa. Na hipertensão absoluta há aumento real da pressão devido ao aumento do volume de sangue nas veias superficiais, seja por desvio de sangue (como nas fístulas arteriovenosas, nas veias pérfuro-comunicantes insuficientes,…), seja por obstáculo (como nas tromboses venosas profundas, nas compressões extrínsecas, nas má formações do sistema venoso profundo,…). Essas varizes constituem o grupo classificado como “Varizes Secundárias”, pois secundam outra condição que determinou o aumento da pressão nas veias.
Na hipertensão relativa o problema esta na estrutura da parede venosa, com isso, não há necessariamente aumento da pressão nas veias. A síndrome é consequência da fragilidade da parede venosa (deficiência genética), que não suporta as pressões normais que o sangue produz na sua luz. Este tipo de variz é classificada de “Varizes Primárias” ou “Varizes Essenciais”.
O diagnóstico desta doença não apresenta dificuldade. Porém, compete ao médico, especialmente ao Angiologista, fazer o diagnóstico diferencial: se primária, que representa 80% dos casos, ou secundária, onde é necesário pesquisar a causa base da afecção.
O quadro clínico é muito variado e não apresenta correlação com o tamanho da variz. Assim, pacientes com poucas varizes podem apresentar sintomas intensos, enquanto pacientes com o quadro varicoso mais avançado não apresentarem queixas álgicas.
O sintoma mais frequente é a dor, geralmente inespecífica, relatada como “surda”, “cansaço” ou “peso” nas pernas. Esses sintomas são percebidos mais ao final do dia, principalmente após longo tempo parado em pé ou sentado com as pernas pendentes, e desaparece quando o paciente eleva o membro, dependendo do tempo de repouso. Pode apresentar outros sintomas, como: queimação, prurido local e “pernas inquietas”. Todavia, a queixa principal é a estética.
O edema não é frequente nos pacientes com varizes essenciais, quando presente sugere causas secundárias. É pouco provável que a falha dos sistemas safenos por si só cause estase venosa que origine edema regional, se houver, fica restrito às regiões de drenagem venosa superficial (região do tornozelo).
Durante a evolução da Síndrome Varicosa de forma primária podem ocorrer complicações, como: Hemorragias subcutâneas, Hemorragias externas, Tromboflebites e Síndrome da Insuficiência Venosa Crônica. Este último ocorre após o surgimento de veias pérfuro-comunicantes insuficientes.
Atualmente, há diversos tipos de tratamento, como: escleroterapia, radiofrequência, laser, entre outros. Cada um com suas indicações e contraindicações específicas. E em casos bem selecionados e mais avançados, podem ser indicados tratamentos cirúrgicos.
Entretanto, para alcançar uma resposta rápida e satisfatória, é crucial aplicar um conceito multifatorial, como: modificar hábitos de vida; minimizar a presença dos fatores agravantes; diagnosticar e tratar as causas secundárias, se presente; além da correta indicação e execução do tratamento das varizes, propriamente ditas.
As varizes primárias, na maioria dos casos, cursam com bom prognóstico e não ameaçam a vida, a não ser quando há complicações, que podem gerar riscos mais graves. Em relação às varizes secundárias, o prognóstico é reservado de acordo com a causa de fundo.
Dica Angiologista.Org:
Variantes do Tipo de Dor:
-Queimação: ardência apontada no trajeto das varizes. Geralmente nos períodos menstruais e gestacionais (sugere: “súbita dilatação das comunicações arteríolo-venulares e das microveias, por provável ação hormonal”)
-Fisgada: dor aguda, em pontada, no trajeto ds varizes, de curta duração, de intensidade variável, que algumas vezes é acompanhada de pequena mancha hemorrágica. Sugere: “ruptura de pequenas veias determinaria o estímulo de filetes sensitivos perivenosos”
-Flebalgia: dor urente no trajeto venoso (safena interna), persistente, sem relação com a posição do membro ou com a dilatação da veia. E pode acontecer em veias não-varicosas (flebalgia troncular essencial).
-Inflamação: processos de várico-flebites.
-Cãibra (contrações involuntárias e espásticas da musculatura estriada): noturnas, estase venosa intramuscular (acúmulo de catabólicos, diminuição da colinesterase, aumento da acetilcolina na placa motora).
_”Síndrome Pernas Inquietas”: mal-estar nas pernas, com incômodo, que obriga o paciente a movimentar as pernas em curto prazo, o andar alivia as manifestações, dando um quadro de inquietação. Sugere: distúrbios neuróticos leves que intensificam as manifestações subjetivas leves determinadas pela estase venosa.
-Claudicação Intermitende Venosa: certo desconforto quando realizam caminhadas longas, com certa turgência das veias e certo grau de dor. Param para aliviar a queixa, não tendo o caráter de impotência funcional, ou de dor intensa, como na patologia arterial. Este tipo de desconforto é mais frequente em paciente com síndrome pós-trombótica.
Referências Blibliográficas:
-Mello N A. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. 322p
-Mello N A: Fisiologia das Varizes. Curso de Especialização em Angiologia Esc.
Méd. Pós-graduação P.U.C – Rio, 2011.
Autor: Dr. Hugo Neves – CRM 52.90211-0
Data da primeira publicação: 15/08/2011

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