Sinonímia: Livedo remoso, Livedo anularis, Asphyxia reticularis
Acomete mais as mulheres entre 20 e 30 anos, principalmente os membros inferiores e de forma simétrica. Tem como característica ser indolor e apresentar um aspecto em forma de rede, com presença da coloração azulada, erotrocianótica e pálida. O quadro clínico após longo tempo de evolução pode apresentar manchas de pigmentação parda, devido ao extravasamento de hemácias pelos capilares.
Na forma primária, a causa é desconhecida. Na forma secundária, geralmente esta associada à alguma doença, como: periarterite nodosa, lúpus eritematoso sistêmico, crioglobulinemia, intoxicação por arsênio ou por chumbo, tromboangeíte obliterante, hipertensão arterial sistêmica, embolização por cristais de colesterol (Sd. de embolização ateromatosa).
Diversas teorias tentam explicar esta síndrome. Spittel relata à favor de ocorrer uma instabilidade neurossimpática, sendo a palidez correspondente à constricção arterial e as áreas cianóticas correspondente à constricção venular.
Nas fases iniciais, o processo é somente funcional e não apresenta nenhuma alteração estrutural. Com a evolução de agravamento, aparece uma proliferação da camada íntima das arteríolas, uma fibrose perivascular e uma dilatação dos capilares e das vênulas.
O diagnóstico é facilitado pelo exame clínico, que constatará manchas azuladas (ou eritrocianóticas) em forma de rendilhado, que piora com a exposição ao frio e diminui ao calor, sem desaparecer por completo.
Há três formas de apresentação clínica: a Cutis marmorata, o Livedo reticular primário e o Livedo reticular secundário. Cada uma apresenta suas particularidades em relação ao tratamento e ao prognóstico.
A cutis marmorata (cútis marmória) é a forma benigna. A coloração rendilhada aparece nas épocas de frio e fora das crises a pele tem aspecto normal.
No livedo reticular primário (idiopático ou essencial) as alterações da coloração são permanentes e mais intensas, principalmente com a exposição ao frio. Pode apresentar sintomas de dormência e coceira local. Porém, não são frequentes o surgimento de úlceras consequentes à esta forma.
O livedo reticular secundário é a forma mais marcante dessa síndrome e geralmente esta associada a colagenoses. Além de ser permanente, evolui para a formação de necrose da pele ( Livedo reticular necrosante) e de úlceras isquêmicas múltiplas. O exame histopatológico mostra arteríolas comprometidas.
Sendo importante ressaltar, que ainda é somado ao quadro clínico as manifestações da doença de base.
As formas cutis marmorata e livedo reticular primário apresentam melhores prognósticos por tenderem a cura espontânea, principalmente a cutis marmorata. A forma secundária tem o prognóstico reservado, devido ao comprometimento vascular, aos processos distróficos e à própria doença de fundo.
Dica Angiologista.Org:
Tratamento: medicamentoso é insatisfatório. Pode ser utilizado calmantes, vasodilatador (como no Fenômeno de Raynaud) e evitar exposição ao frio.
Referências Blibliográficas:
-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002.
268p
-Mello N A. Aula: Livedo reticular. Curso de Especialização em Angiologia da Esc.
Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.
Autor: Dr. Hugo Neves – CRM 52.90211-0
Data da primeira publicação: 27/06/2011

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