Síndrome das Linfangites Tronculares

As Linfangites tronculares possuem uma forma bem característica de apresentação com traços lineares avermelhados, que se estendem na direção dos Linfonodos superficiais. Em muitos casos é relatado pelo paciente como “vergões vermelhos”.

Há diversos agentes etiológicos, como físicos (cortes, queimaduras, irradiação), químicos (alumínio, silício) e biológicos (bactérias, vírus, fungos), capazes de desencadear essa afecção. Esses agentes ao agredirem a parede linfática ocasiona uma reação inflamatória local, que atinge os vasos cutâneos (dermatite por contaminação), originando o aspecto avermelhado do quadro.

A clínica é acompanhada de dor em queimação local e os linfonodos regionais podem estar aumentados de volume e dolorosos (Linfadenite ou adenite satélite). Essa reação no linfonodo representa a reação de defesa à infecção, que ocorre em maior frequência nas inflamações causadas por bactérias, que ao migrarem passam obrigatoriamente pelo linfonodo. As manifestações sistêmicas como mal estar geral, febre (39 – 40° C) podem estar presentes mesmo antes de aparecerem os sintomas e sinais locais.

Entretanto, na maioria dos casos, as Linfangites tronculares se apresentam junto ao quadro das Linfangites difusas (Erisipela Vera e Erisipelatóide) e o tratamento engloba o uso de antiinflamatórios, analgésicos, antibióticos (nos casos de agentes bactéricos, em destaque: Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes) e medidas profiláticas, como: tratamento da micose interdigital, higienização dos pés, mantendo a área seca, entre outros cuidados locais.

Essas medidas profiláticas é de grande valia na sequência do tratamento, pois a presença de umidade entre os dedos acarreta a maceração da pele e a instalação da micose, que além de impedir a cicatrização, facilita a penetração de bactérias, formando o ciclo de manifestações recorrentes.

Com isso, é importante ressaltar que a cada episódio dessa afecção gera um comprometimento das vias linfáticas (obstrução de troncos linfáticos pela formação de fibrose parietal), que contribui para a instalação de Linfedema Secundário.

É primordial que já nos primeiros sintomas e sinais seja feita a procura ou o encaminhamento ao Angiologista, afim de promover uma consulta especializada com uma avaliação do comprometimento vascular existente. Pois, quanto mais precoce for feito o diagnóstico correto, mais rápido será empregado o tratamento adequado e maior será a possibilidade de uma resposta terapêutica satisfatória.

Foto: Linfedema secundário à Linfangites recorrentes.

Dica Angiologista.Org:
-Antibióticos com ótima resposta: Penicilinas (G Benzatina 1.200.000 UI IM 15/15 dias), Clavulin ou Clavulin BD.

-Quadro Clínico: A febre tende a decrescer na vigência do aparecimento das estrias avermelhadas, que podem confluir formando faixas eritematosas. A Febre tende a se prolongar, caso haja complicações locais (celulite com comprometimento de tecidos mais profundos ou abscessos).

-Linfangite Viral: curso autolimitado (14-21 dias no casos de L. Herpética), medidas gerais para controle dos sintomas.

Referências Blibliográficas:
-Mello, N. A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002. 268p
-Mello, N. A. Grandes Síndromes Linfáticas. In: Ney Almeida Mello. Angiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. 269-289p
-Júnior, V. C; Castelli, J. B.; Santos, V. P. Linfangites e Erisipela. In: Francisco H. de
A. Maffei; Sidnei Lastória; Winston B. Yoshida; Hamilton A. Rollo; Mariangela Giannini; Regina Moura (Eds.). Doenças Vasculares Periféricas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 1547-1556p
-Cataldo, J. L. Linfangites e Erisipelas. In: João Batista Thomaz; Cleusa Ema Quilici Belczak (Eds.). Tratado de Flebologia e Linfologia. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2006.799-808p

Autor: Dr. Hugo Neves – CRM 52.90211-0
Data da primeira publicação: 03/10/2011

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