Síndrome Microcirculatória: Úlcera Isquêmica Hipertensiva de Martorell

Sinonímia: Úlcera hipertensivo-isquêmica, úlcera hipertensiva de Martorell, úlcera isquêmica de Martorell, úlcera de Martorell, ulcus cruris hypertonicum, Síndrome de Martorell.

Descrita pela primeira vez em 1945 por Martorell, esta afecção representa uma forma de úlcera na pele determinada pela doença hipertensiva sistêmica.
Geralmente ocorre em mulheres com a pressão diastólica em valor alto, superior ou igual à 120mmhg.

Os pacientes com hipertensão arterial sistêmica apresentam (de forma primária ou secundária) um comprometimento arteriolar, que inicialmente ocorre como um vasoespasmo e, com a evolução de agravamento da doença, desenvolve uma hipertrofia da camada média e uma hiperplasia da endotelial (arteríola com aspecto em “bulbo de cebola”). Essas transformações determinam a diminuição da luz arteriolar ou até oclusão do vaso, acarretando uma isquemia local.
Importante ressaltar que as lesões encontradas nas arteríolas próximas da úlcera são as mesmas encontradas nas arteríolas de regiões que também estão sofrendo com o processo hipertensivo sistêmico, frequentemente a retina e os rins.

O quadro clínico inicia ou de forma espontânea ou após algum pequeno trauma com uma área avermelhada de extensão variável e geralmente na região supramaleolar na face lateral externa da perna, que em poucos dias passa a ter uma coloração cianótica. Com o agravamento, surgem bolhas sanguinolentas, necroses locais e úlceras de carácter isquêmico.

Se o paciente for portador de Diabetes mellitus, as manifestações se
apresentam de forma mais complexa.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras doenças que causam úlcera isquêmica, como: Diabetes mellitus, colagenoses (Lúpus eritematoso sistêmico), anemia falciforme, livedo reticular, periarterite nodosa, entre outras.

O tratamento deve ser amplo, sendo necessário somar o tratamento da úlcera isquêmica com o tratamento da doença hipertensiva e atentar para doenças sistêmicas associadas.

Foto: Fonte – Livro de Doenças Microcirculatórias da Pele – Mello N A.)

Dica Angiologista.Org:
Diagnóstico: deve ser lembrado quando o paciente apresentar úlcera de carácter isquêmica (dor em queimação, pouca secreção, fundo raso e de difícil cicatrização – forma cicatriz acrômica), longa evolução da doença hipertensiva com a diastólica alta, sem comprometimento troncular arterial e com história de lesões simétricas (úlcera / cicatriz em locais simétricos).
Tratamento: úlcera- repouso com a cabeçeira da cama elevada, curativos suaves, pentoxifilina 400mg (3x/dia), analgesia, proteger as pernas de traumatismos locais (não usar meia elástica), vasodilatadores pouco eficaz (comprometimento é orgânico). A melhora da microcirculação pode ser evidenciado pelo aparecimento da secreção na úlcera.

Referências Blibliográficas:
-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro:
Revinter,2002. 268p
-Mello N A. Aula: Úlcera Isquêmica Hipertensiva de Martorell. Curso de Especialização em Angiologia da Esc. Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.

Autor: Dr. Hugo Neves – CRM 52.90211-0
Data da primeira publicação: 25/07/2011

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