A primeira descrição na história foi um relato de caso por Graves em 1834, todavia a primeira publicação médica detalhada foi feita por Weil Mitchell em 1872.
É Doença microcirculatória da pele, que determina uma vermelhidão, uma hipertermia e dor em queimação local. Apresenta-se em crises paroxísticas devido a uma vasodilatação anormal da arteríola, assim, pode ser considerada como o inverso da doença de Raynaud. Nos intervalos das crises a microcirculação local não apresenta nenhuma alteração anatopatológica.
Pode se apresentar na forma primária ou na forma secundária. Sendo a forma primária, também conhecida como doença de Weil Mitchell, é pouco frequente e diagnosticado por exclusão (sem doença de base). Além das principais características já citadas, há critérios menores, como: acometer preferencialmente os membros inferiores, melhorar com a elevação do membro acometido ou com o frio, agravar com exercícios físicos ou calor ambiente, ser bilateral, simétrica e de apresentar uma “temperatura gatilho”, isto é, quando a pele alcança a uma determinada temperatura desencadeia a crise. Com a evolução de agravamento as manifestaçõesse tornam mais frequentes e com aumento da intensidade da dor urente.
Existem diversas teorias que visam à explicar esta afecção, como por exemplo, Erskine aponta para um comprometimento do sistema nervoso simpático, onde a pele passa a ter uma maior sensibilidade ao calor.
Na forma secundária o quadro clínico é menos típico, porém é a forma mais comum. Apresenta-se como vermelhidão, uma discreta hipertermia, raramente é acompanhada da dor em queimação e pode ser unilateral em caso de algum comprometimento local. Tem como causas possíveis: Policitemia, diabete mellitus, neuropatias periféricas, intoxicação por metais pesados (chumbo), sarcanismo, aterosclerose, alcoolismo crônico, entre outras.
O tratamento na forma primária envolve medidas gerais (informar corretamente ao paciente sobre seu caso, evitar exposições ao calor), medicamentosas e fisioterápicas. Na forma secundária, além dessas medidas, deve tratar a doença de base.
Existe um segundo conceito, que divide essa afecção em duas entidades patológicas, Eritromelalgia e Eritermalgia, onde há uma diferença no qua ro clínico, laboratorial, histopatológico e quanto à resposta ao uso de ác do acetilsalicílico. Tendo a Eritromelalgia uma alívio dos sintomas com o uso do AAS, ao contrário da Eritermalgia, que não responde a este tratamento.
Dica Angiologista.Org:
Diagnóstico é feito pelo quadro de hiperemia, hipertermia, dor urente, crise paroxística, alívio pelo frio e não apresentar lesões tróficas. Possibilidades de tratamento: remédios como AAS, Ansiolíticos e Vasoconstrictores (enxaqueca). Fisioterapia: calor progressivo (dessensibilização ao calor).
Referências Blibliográficas:
-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro: Revinter,2002.
268p
-Mello N A: Aula: Eritromelalgia. Curso de Especialização em Angiologia da Esc.
Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.
1.Bernardini, E. Arteriopatias Funcionais. In: Francisco H. de A. Maffei; Sidnei Lastória; Winston B. Yoshida; Hamilton A. Rollo; Mariangela Giannini; Regina Moura (Eds.). Doença Vascular Periférica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1529-1538p
Autor: Dr. Hugo Neves – CRM 52.90211-0
Data da primeira publicação: 13/06/2011

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