Síndrome Microcirculatória: Acrocianose

É uma doença microcirculatória na qual o paciente apresenta uma cianose uniforme e permante, com hipotermia e ser indolor. Acomete mais as mulheres jovens que relatam mãos e pés roxos, e os exames não evidenciam obstrução em troncos vasculares regionais.

Ocorre devido a dilatação atônica capilar, que pode se estender até a vênula, e devido a presença de capilares com calibres maiores que o normal (denominado como “gigantismo capilar” por Dr. Fernando Duque). Essas alterações fisiopáticas acarretam uma exacerbada estase venosa, que levará ao aumento da hemoglobina reduzida e, consequentemente, surgimento da cianose local.
A clínica dessa angiopatia tem como característica marcante a presença de mãos permanentemente cianóticas, com cor uniforme, e pode estar mais acentuada nas falanges distais. É comum a constatação de hipotermia, de hiperidrose local, sem queixas de dor local.

Por não causar dor, nem distúrbios tróficos locais, as principais queixas são a cianose permanente, com comprometimento estético, e a hiperidrose, que muitas vezes dificulta as atividades profissionais destes pacientes.

Pode ocorrer na forma primária, na qual o paciente apresenta atonia capilar marcante de origem congênita; ou na forma secundária, na qual o paciente sofre distúrbios endócrinos, geralmente por insuficiência gonadal no período da puberdade.

O diagnóstico pode ser feito através de provas térmicas nas mãos com alternância de temperaturas. Através do exame de capilaroscopia pode ser feito o diagnóstico definitivo, pela constatação de alterações do tamanho e do fluxo no leito capilar.

O mais importante no tratamento é orientar e esclarecer as dúvidas do
paciente, mudar atitudes que visam a diminuir a intensidade do quadro, tais como: evitar exposição ao frio e fortes emoções. Outras medidas, como reposição hormonal, cirurgias e radioterapias, devem ser aplicadas em casos bem selecionados.

A acrocianose tem um bom prognóstico clínico, porque além de não levar à lesões distróficas e nem a dor, os sinais e os sintomas da doença tendem a diminuir com o passar dos anos e pode chegar à cura espontânea.

Dica Angiologista.Org: para o confirmar o diagnóstico clínico, utilize “provas térmicas de alternância” (dois recipientes, um com água gelada e outro com água morna). Nos pacientes acometidos há demora acentuada para a volta à temperatura normal, anterior ao início da prova.

Referências Blibliográficas:
-Mello N A. Doenças Microcirculatórias da Pele. Rio de Janeiro:
Revinter, 2002. 268p
-Mello N A: Aula: Acrocianose. Curso de Especialização em Angiologia da Esc. Med. Pós-graduação da PUC-Rio, 2010.

Autor: Dr. Hugo Neves – CRM 52.90211-0
Data da primeira publicação: 22/05/2011

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